30 e 31 de julho, 1 de agosto

Conversas nos olhos
CINEMA E CONVERSA
Jorge Vaz Gomes
30 de julho Jardim das Gerações, Espinhal I 21h30

Duração aprox.: 55 min, M/12

Mapa-Esquisito, 2018 - 21’55’’
A minha família emigrou para França nos anos 60, mas pouco depois a minha mãe foi obrigada a voltar. Talvez por essa razão mudámos de casa oito vezes e fugíamos sempre que possível para a aldeia, onde a família de França passava férias. Esta inquietude entranhou-se nos meus sonhos desde então e nunca mais os largou. É através das imagens destes sonhos e locais da infância que tento perceber se existe uma geografia possível, para alguém com uma história que parece não pertencer a lugar nenhum.
REALIZAÇÃO: Jorge Vaz Gomes PRODUÇÃO: Kintop Filmes FESTIVAIS: IndieLisboa’18, CurtaArruda 2018  Vista Curta, Viseu 2018 e FIKE 2018, Évora. Prémio melhor Filme Português CINENOVA 2019, Lisboa.

Jean-Claude - 12’53’’
Há cerca de 10 anos atrás, umas placas fotográficas dos anos 30, encontradas na feira da ladra de Paris, no mesmo bairro onde se passa o livro “Dora Bruder” de Patrick Modiano, servem de ponto de partida para a história de uma família. Precisamente durante os anos 30, essa altura de aparente paz e sossego à espreita da Segunda Guerra Mundial.
REALIZAÇÃO/GUIÃO/EDIÇÃO/PRODUÇÃO: Jorge Vaz Gomes REVISÃO TEXTO: Gloria Vaz SOM: Jorge Cabanelas Pereira FESTIVAIS: Competição Oficial de War on Screen Festival 2017 e Menção Honrosa do Júri do Tree of Life Award, no IndieLisboa’16.

Todas as contas vão no mesmo fio
MASTERCLASS DE NARRAÇÃO ORAL
Quico Cadaval
31 de julho Auditório Municipal de Penela I 10h-12h

A arte de contar estórias está na base da construção do humano, como a de cantar e dançar. As três foram as que necessitámos para chegar cá. Ninguém discute a dificuldade de cantar e dançar, muitas pessoas não se atrevem por medo do ridículo. Contar é diferente, considera-se tão natural, tao ligado à própria vida que qualquer um ou uma, julgam-se capacitados para o fazer. E as pessoas concordam que está ao alcance de qualquer um (ou uma): presidentes da câmara, donas de casa, professoras, bailarinas, padres ou varredores.  Sabemos que as crianças são ensinadas com histórias, os namoros são precedidos por importantes doses de ficção e qualquer projeto artístico ou político tem-se de acompanhar por uma estória “bem contada”. Qual é a razão para que cada vez mais pessoas se sintam intimidadas perante o desafio banal de contar uma estória? Dum lado, porque há boatos de que existem profissionais que fazem isso comme il faut, doutro, porque desistimos e confiamos esse trabalho a aparelhos de memoria externos, TV cabo e internet.

Mas o rio do conto que fazemos coletivamente continua a fluir entre nós cada vez que saímos para a rua ou entramos para o bar. Cada vez que temos um encontro com outrem e esfregamos as antenas para nos informar, reconhecer, enriquecer, consolar, estimular, divertir, esclarecer… É só isso, fazer o que já sabíamos, e reconhecer que é uma atividade artística, como o canto e a dança. Apenas temos que aprender alguns passos e algumas melodias. Depois é só contar.

 

 

Phantasmas familiares 
NARRAÇÃO ORAL
Quico Cadaval
31 de julho Casa Família Oliveira Guimarães (ar livre), Espinhal I 18h30
 

Duração: 75 min, M/12

Os contos tradicionais que foram transmitidos através dos anos de forma doméstica e, muitas vezes, na escuridão do leito, são passados agora para uma forma cénica. Contar o que ouviste no círculo familiar tem algo de literatura oral, um pouco de teatro e muito de circo. Para muitas pessoas o ato de lembrar é por si mesmo, acrobático. As histórias do Quico Cadaval são de fantasmas mesmo, de pessoas que foram vivas, e agora são mortas e aparecem sempre teatralmente a sair da escuridão ou da bruma. Ironicamente, todas as personagens evocadas num palco cénico são uma espécie de fantasmas: aparecem graças à candura inocente do público, e com o primeiro travo de ceticismo, a personagem desaparece, o fantasma dilui-se na penumbra e regressa à sombra. Ali espera que o devolva à vida, outra vez, o único que pode consegui-lo: a palavra certa, pronunciada em voz alta.

Velórios, velhoras sabias, almocreves, feirantes, marinheiros, recoveiras, bêbados, camponeses, namorados, fiadeiras, santos, choferes… personagens dos contos ouvidos nos serões familiares, aparecerão como fantasmas, conjurados pela palavra do Quico Cadaval.

 

 

Os Inocentes
NARRAÇÃO ORAL
Quico Cadaval
1 de agosto na orla da aldeia, Chanca* I 18h30

Duração: 75 min, M/12

Depois de resgatar os contos-de-velhas do entorno da sua própria família, o Quico Cadaval procurou ou topou novos materiais nas histórias de vida. A peripécia de qualquer pessoa anónima, homem ou mulher, tem os mesmos valores que as velhas lendas de guerreiros e feiticeiras. Só é preciso escutar com atenção e lá aparecerá a grande épica do quotidiano. No repertorio intitulado “Os inocentes” apresentam-se histórias de personagens que são os marginalizados, os poupados, os mandados para o final da fila… Os nomes deles variam de país para país. São as alminhas, os bons de deus, os à boa fé, os que não sabem para que estão no mundo, os que lhes falta uma fervura, os Inocentes. Com certeza, na vossa terra terão também um nome compassivo e condescendente. São três que hoje seriam chamados de deficientes e que enfrentam o horror da guerra de Espanha. Manuel, Marquinhos e Pastor, três abençoados que vão para aquele inferno inventado pelos inteligentes. A guerra era um tema tabu nos anos do franquismo, a memoria individual fora esmagada pelo triunfalismo oficial dos vencedores. As pobres gentes tinham que calar, mas as suas histórias, finalmente, saíram para a superfície. Apareceram, como nódoas de humidade. 

* espetáculo de acesso condicionado, não aconselhado a pessoas com mobilidade reduzida